Um dos primeiros movimentos que os bebês executam logo ao nascer é sugar. Com
o passar do tempo, o repertório aumenta e é aperfeiçoado com base no contato com
o entorno, as pessoas e os objetos. Essa oportunidade é importante para garantir a
sobrevivência dos pequenos e a comunicação deles com o ambiente antes da
aquisição da linguagem oral. Por meio de gestos, eles exploram e conhecem o
mundo em que vivem. Esse estágio foi descrito como sensório-motor (ou projetivo)
pelo médico, psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962).
Nessa fase predomina a dimensão subjetiva do movimento, o diálogo afetivo que se
estabelece com o adulto, caracterizando pelo toque corporal, manipulação de voz,
expressão de sentido constituem um espaço de aprendizagem, a criança imita e cria
suas reações. Antes de aprender a andar, a criança pode desenvolver formas
alternativas de locomoção como arrastar-se ou engatinhar, essas ações permitem
que o bebê descubra os limites do próprio corpo. Com o primeiro ano, vem a conquista do
gesto de preensão, locomoção e equilíbrio, isso oferece, a criança exploração do espaço,
manipulação de objetos e realizar atividades diversificadas.
Na creche trabalhar a temática do movimento requer planejamento.
A ausência de berços, somada a atividades da dança que envolvem gestos repetitivos e
coreografados e os tradicionais circuitos que desafiam a turma a descer, subir, rolar, entrar e sair, é interessante.
Mas é preciso garantir ainda mais, pensar em propostas que desafiem as crianças
constantemente a ir e vir, a explorar ações que ainda desconheçam, a experimentar sensações e a conhecer o próprio corpo, possibilidades e limites. Para isso, organizar a sala com elementos pertinentes e espaços livres é essencial.
Fonte: NOVA ESCOLA ( Educação Infantil)
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sábado, 7 de novembro de 2015
O MOVIMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Por que brincar é importante para as crianças pequenas
Reportagem: Revista Nova Escola
Edição: Junho e Julho/2015
Segundo
pesquisa realizada pela Clélia Cortez
formadora do instituto Avisa- Lá , em São Paulo.
No final do
século XIX, o filosofo francês Henri Wallon (1879-1962), o biólogo suíço Jean Piaget(1896-1980) e o psicólogo bielo-
russo Lev Vygotsky (1896-1934) buscavam
compreender como os pequenos se relacionavam
com o mundo e como produziam cultura. Até então a concepção dominante era de que
não faziam isso. Investigando essa faceta essa faceta do universo
infantil eles concluíram que boa parte
da comunicação das crianças com o ambiente se dá por meio da brincadeira e que é dessa
maneira que elas se expressam culturalmente, explica Clélia.
Wallon foi o primeiro a
quebrar os paradigmas da época ao dizer que a aprendizagem não depende apenas
do ensino de conteúdos: para que ela ocorra, são necessários afeto e movimento
também. Ele afirmava que é preciso ficar atento aos interesses dos pequenos e
deixá-los se deslocar livremente para que façam descobertas. Levando em conta
que as escolas davam muita importância à inteligência e ao desempenho, propôs
que considerassem o ser humano de modo integral. Isso significa introduzir na
rotina atividades diversificadas, como jogos. Preocupado com o caráter
utilitarista do ensino, Wallon pontuou que a diversão deve ter fins em si
mesma, possibilitando às crianças o despertar de capacidades, como a
articulação com os colegas, sem preocupações didáticas.
Já Piaget,
focado no que os pequenos pensam sobre tempo, espaço e movimento, estudou como
diferem as características do brincar de acordo com as faixas etárias. Ele
descobriu que, enquanto os menores fazem descobertas com experimentações e
atividades repetitivas, os maiores lidam com o desafio de compreender o outro e
traçar regras comuns para as brincadeiras.
As
pesquisas de Vygotsky apontaram que a produção de cultura depende de processos
interpessoais. Ou seja, não cabe apenas ao desenvolvimento de um indivíduo, mas
às relações dentro de um grupo. Por isso, destacou a importância do professor
como mediador e responsável por ampliar o repertório cultural das crianças.
Consciente de que elas se comunicam pelo brincar, Vygotsky considerou uma
intervenção positiva a apresentação de novas brincadeiras e de instrumentos
para enriquecê-las. Ele afirmava que um importante papel da escola é
desenvolver a autonomia da turma. E, para ele, esse processo depende de
intervenções que coloquem elementos desafiadores nas atividades, possibilitando
aos pequenos desenvolver essa habilidade.Segundo
pesquisa realizadapela Clélia Cortez
formadora do instituto Avisa- Lá , em São Paulo.
No final do
século XIX, o filosofo francês Henri Wallon (1879-1962), o biólogo suíço Jean Piaget(1896-1980) e o psicólogo bielo-
russo Lev Vygotsky (1896-1934) buscavam
compreender como os pequenos se relacionavam
com o mundo e como produziam cultura. Até então a concepção dominante era de que
não faziam isso. Investigando essa faceta essa faceta do universo
infantil eles concluíram que boa parte
da comunicação das crianças com o ambiente se dá por meio da brincadeira e que é dessa
maneira que elas se expressam culturalmente, explica Clélia.
Wallon foi o primeiro a
quebrar os paradigmas da época ao dizer que a aprendizagem não depende apenas
do ensino de conteúdos: para que ela ocorra, são necessários afeto e movimento
também. Ele afirmava que é preciso ficar atento aos interesses dos pequenos e
deixá-los se deslocar livremente para que façam descobertas. Levando em conta
que as escolas davam muita importância à inteligência e ao desempenho, propôs
que considerassem o ser humano de modo integral. Isso significa introduzir na
rotina atividades diversificadas, como jogos. Preocupado com o caráter
utilitarista do ensino, Wallon pontuou que a diversão deve ter fins em si
mesma, possibilitando às crianças o despertar de capacidades, como a
articulação com os colegas, sem preocupações didáticas.
Já Piaget,
focado no que os pequenos pensam sobre tempo, espaço e movimento, estudou como
diferem as características do brincar de acordo com as faixas etárias. Ele
descobriu que, enquanto os menores fazem descobertas com experimentações e
atividades repetitivas, os maiores lidam com o desafio de compreender o outro e
traçar regras comuns para as brincadeiras.
As
pesquisas de Vygotsky apontaram que a produção de cultura depende de processos
interpessoais. Ou seja, não cabe apenas ao desenvolvimento de um indivíduo, mas
às relações dentro de um grupo. Por isso, destacou a importância do professor
como mediador e responsável por ampliar o repertório cultural das crianças.
Consciente de que elas se comunicam pelo brincar, Vygotsky considerou uma
intervenção positiva a apresentação de novas brincadeiras e de instrumentos
para enriquecê-las. Ele afirmava que um importante papel da escola é
desenvolver a autonomia da turma. E, para ele, esse processo depende de
intervenções que coloquem elementos desafiadores nas atividades, possibilitando
aos pequenos desenvolver essa habilidade.
Se você trabalha com Educação Infantil, sabe da importância do Movimento para as crianças . As crianças se movimentam desde que nascem, adquirindo cada vez maior o controle sobre seu próprio corpo, engatinham, caminham, manuseiam objetos, correm, saltam, brincam, etc.
Segundo o RCNEI , por meio da motricidade a criança se expressa, se comunica, relaciona-se. Vão ampliando sua motricidade e sua relação com a realidade num processo de interação.
O movimento humano é portanto o mais simples deslocamento do corpo no espaço.
Esses movimentos incorporam-se aos comportamentos dos homens, resultam das interações sociais e da relação do homem com o meio.
Sua multiplicidade, funções e manifestações do ato motor, propicia um amplo aspecto da motricidade das crianças, abrangendo posturas corporais bem como outras atividades cotidianas.
Para uma criança pequena o movimento significa muito mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço, o ato motor faz-se presente em suas funções expressivas, pode-se dizer que no inicio do desenvolvimento predomina a dimensão subjetiva da motricidade com a interação do seu meio social.
Somente aos poucos que se desenvolve a dimensão objetiva que corresponde as competências instrumentais, para agir sobre o espaço e o meio físico.
Na Educação Infantil, promover atividades através de jogos, brincadeiras, dança e práticas psicomotoras, deve fazer parte da rotina escolar .
É muito importante que o professor perceba os diversos significados que pode ter a atividade motora para as crianças, contribuindo para que ela tenha uma percepção adequada de seus recursos corporais.
PARA FACILITAR O PLANEJAMENTO DOS PROFESSORES :
Abaixo destaco 3 quadros sinóticos que podem auxiliar no planejamento diário do professor, destacando as CARACTERÍSITCAS POR IDADE, os OBJETIVOS e os CONTEÚDOS.
"Sabia que eu
sei desenhar um cavalo? Ele está fazendo cocô."
"Vou desenhar aqui, que tem espaço vazio." "O cavalo ficou escondido debaixo disso tudo!"Joana, 3 anos
Reprodução/Agradecimento
Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)
No início, o que se
vê é um emaranhado de linhas, traços leves, pontos e círculos, que, muitas
vezes, se sobrepõem em várias demãos. Poucos anos depois, já se verifica uma
cena complexa, com edifícios e figuras humanas detalhados. O desenho acompanha
o desenvolvimento dos pequenos como uma espécie de radiografia. Nele, vê-se
como se relacionam com a realidade e com os elementos de sua cultura e como
traduzem essa percepção graficamente.
Toda criança desenha. Pode ser com lápis e papel ou com caco de tijolo na
parede. Agir com um riscador sobre um suporte é algo que ela aprende por
imitação - ao ver os adultos escrevendo ou os irmãos desenhando, por exemplo.
"Com a exploração de movimentos em papéis variados, ela adquire
coordenação para desenhar", explica Mirian Celeste Martins, especialista
no ensino de arte e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A
primeira relação da meninada com o desenho se dá, de fato, pelo movimento: o
prazer de produzir um traço sobre o papel faz agir.
Os rabiscos realizados pelos menores, denominados garatujas, tiveram o sentido
ampliado sob o olhar da pesquisadora norte-americana Rhoda Kellogg, que
observou regularidades nessas produções abstratas (veja no topo da
página o desenho de Joana, 3 anos, e sua explicação).Observando cerca de
300 mil produções, ela analisou principalmente a forma dos traçados (rabiscos
básicos) e a maneira de ocupar o espaço do papel (modelos de implantação) até a
entrada da criança no desenho figurativo, o que ocorre por volta dos 4
anos.
No período de produção de garatujas, ocorre uma importante exploração de
suportes e instrumentos. A criança experimenta, por exemplo, desenhar nas
paredes ou no chão e se interessa pelo efeito de diferentes materiais e formas
de manipulá-los, como pressionar o marcador com força e fazer pontinhos. Essa
atitude de experimentação tem valor indiscutível na opinião de Rhoda:
"Para ela 'ver é crer' e o desenho se desenvolve com base nas observações
que a criança realiza sobre sua própria ação gráfica", ressalta Rosa
Iavelberg, especialista em desenho e docente da Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo (USP), no livro O Desenho Cultivado da Criança:
Práticas e Formação de Educadores. Esse aprendizado durante a ação é frisado
pela artista plástica e estudiosa Edith Derdyk: "O desenho se torna mais
expressivo quando existe uma conjunção afinada entre mão, gesto e instrumento,
de maneira que, ao desenhar, o pensamento se faz".
De início, a
criança desenha pelo prazer de riscar sobre o papel e pesquisa formas de ocupar
a folha.
Com o tempo, a
criança busca registrar as coisas do mundo
Uma das principais funções do desenho no desenvolvimento infantil é a
possibilidade que oferece de representação da realidade. Trazer os objetos
vistos no mundo para o papel é uma forma de lidar com os elementos do dia a
dia. "Quando a criança veste uma roupa da mãe, admite-se que ela esteja
procurando entender o papel da mulher", explica Maria Lúcia Batezat,
especialista em Artes Visuais da Universidade Estadual de Santa Catarina
(Udesc). "No desenho, ocorre a mesma coisa. A diferença é que ela não usa
o corpo, mas a visualidade e a motricidade." Esse processo caracteriza o
desenhar como um jogo simbólico (veja abaixo o comentário de Yolanda, 5
anos, sobre seu desenho).
"Esse aqui não
é um coelho. Não me diga que é um coelho porque é um boi bebê. Eu estou fazendo
uma galinha que foi botar ovo no mato. Quer dizer, uma menina que foi pegar
plantas no mato para dar ao marido."Yolanda, 5 anos
Muitos autores se
debruçaram sobre as produções gráficas infantis, analisando e organizando-as em
fases ou momentos conceituais. Embora trabalhem com concepções diferentes e
tenham chegado a classificações diversas, é possível estabelecer pontos em
comum entre as evolutivas que estabelecem. Pesquisadores como Georges-Henri
Luquet (1876-1965), Viktor Lowenfeld (1903-1960) e Florence de Mèridieu
oferecem elementos para a compreensão dos desenhos figurativos das crianças,
destacando algumas regularidades nas representações dos objetos.
Desenhar é uma
forma de a criança lidar com a realidade que a cerca, representando situações
que lhe interessam.
Mais cedo ou mais
tarde, todos os pequenos se interessam em registrar no papel algo que seja
reconhecido pelos outros. No começo, é comum observar o que se convencionou
chamar de boneco girino, uma primeira figura humana constituída por um círculo
de onde sai um traço representando o tronco, dois riscos para os braços e
outros dois para as pernas. Depois, essa figura incorpora cada vez mais
detalhes, conforme a criança refine seu esquema corporal e ganhe repertório
imagético ao ver desenhos de sua cultura e dos próprios colegas.
Uma das primeiras
pesquisas dos pequenos, assim que entram na figuração, é a relação topológica
entre os objetos, como a proximidade e a distância entre eles, a continuidade e
a descontinuidade e assim por diante. Em seguida, eles se interessam em
registrar tudo o que sabem sobre o modelo ao qual se referem no desenho, e é
possível verificar o uso de recursos como a transparência (o bebê visível
dentro da barriga mãe, por exemplo) e o rebatimento (a figura vista, ao mesmo
tempo, por mais de um ponto de vista). Assim, a criança se aproxima das noções
iniciais de perspectiva e escala, estruturando o desenho em uma cena, sem
misturar na mesma produção elementos de diferentes contextos (veja
abaixo a produção de Anita, 5 anos, que detém essas características).
"Vou desenhar
a minha casa. Aqui é o portão e tem uma janela aqui."Anita, 5 anos
"Dá para ver a sua mãe dentro de casa?"Repórter "Não, porque a porta parece um espelho. Só daria se a janela estivesse
aberta."Anita
O desenho é
espontâneo ou é fruto da cultura?
Entre os principais estudiosos, há uma cizânia. Há os que defendem que o
desenho é espontâneo e o contato com a cultura visual empobrece as produções,
até que a criança se convence de que não sabe desenhar e para de fazê-lo. E há
aqueles que depositam justamente no seu repertório visual o desenvolvimento do
desenho. Nas discussões atuais, domina a segunda posição. "A única coisa
que sabemos ser universal no desenho infantil é a garatuja. Todo o resto
depende do contexto cultural", diz Rosa Iavelberg.
Detalhes da figura
humana, noções de perspectiva e realismo visual são elementos da evolução do
desenho.
Essa perspectiva não admite o empobrecimento do desenho infantil, mas entende
que a criança reconhece a forma de representar graficamente sua cultura e
deseja aprendê-la. Assim, cai por terra o mito de que ela se afasta dessa
prática quando se alfabetiza. "O desenho é uma forma de linguagem que tem
seus próprios códigos", diz Mirian Celeste Martins. "Para se
aproximar do que ele expressa, é preciso fazer uma escuta atenta enquanto ele é
produzido." Para Mirian, a relação entre a aquisição da escrita e a
diminuição do desenho ocorre porque a escola dá pouco espaço a este quando a
criança se alfabetiza - algo a ser repensado em defesa de nossos desenhistas.
Comentário do grupo:
O desenho tem papel fundamental na formação do conhecimento.
Requer valorização. O desenhar é um fator essencial no
processo de desenvolvimento da linguagem, como se fosse um documento que
registra a evolução do aluno.
O desenho vai mudando conforme o crescimento das crianças, no inicio é somente rabiscos e vai partindo para uma casinha, uma
arvore, etc.
A criança interage com o
mundo, através do desenho, se expressando com criticas e opiniões, com cores, formas e tamanhos.
Para isso é necessário que a escola disponha de suporte
(material e técnicas). Caso não tenha essa estrutura, caso não tenha esta
estrutura a escola, os professores bloqueiam a criatividade da cada criança,
geralmente os desenhos se dão nos conteúdos em que a criança está inserida.
Observamos que a técnica da escrita vai diminuindo
conforme a criança vai sendo alfabetizada. Achamos que isso se dá pelo fato de a
escola não dá importância ao processo de desenhar, acabam focando o aprendizado
e se esquecendo do lúdico, que com certeza uma forma de facilitar o
aprendizado.